17 de abril de 2011

DO MESMO JEITO …







Ainda ouço o barulho seco da porta se fechando. Naquele momento meu riso morreu. A certeza de que sua ausência faria brotar solidão em mim pintou de cinza o mundo. Eu, o só e o mundo acinzentado… Todos os ingredientes necessários para a instalação permanente da tristeza. Acreditei que sempre voltaríamos um para o outro, a esperança do retorno fez de mim prisioneira física e emocional do “esperar seu regresso.” Sou no hoje a morada das faltas que sinto de você. Meu amor cresce a cada instante e o desespero da “não presença “ sua, me leva a fixar meu olhar em seus retratos. A imobilidade das feições me faz concluir que não possuo nada a que me agarrar, nem em você, nem lá fora: eu mais eu é igual à solidão, o só. Não estou lançando mão da hipocondria existencial para trazer você de volta para mim? Não sei, pode ser, mas não me interessa estes questionamentos tão… Tão… Tão filosóficos. Quero o real, e minha realidade reside em você. Eu não me basto, você basta a si mesmo? Não, esta certeza eu tenho, senão porque tirava de mim toda a pouca seiva que eu conseguia armazenar no pouco sono que eu dormia? Se não consegue ter só você, se não procura andar nos caminhos que o trazem a mim, então… Não quero pensar nesta transferência de amor. A morte do meu riso não aconteceu quando você bateu a porta para “o seu ir embora”, naquele momento aconteceu o sepultamento. O morrer do meu riso estava acontecendo nos dias que se sucediam. Eu não percebia, mas minha vida ao seu lado adoecia sempre que uma aurora despontava e meu sorriso, ou imitação dele, era uma caricatura trágica do medo de você ir, do receio de seu ficar. Amor que emanava a dor do bolor misturada ao gosto salgado das lágrimas do só. Nós prosseguíamos a viagem do amor com seus perdões incessantes, fingindo não haver tédio de vida a dois. Éramos tão intensos em tudo que esquecemos que um dia, por algum motivo, iríamos precisar entrar na vida, nos outros. Você me amou mal, eu… Também, e com o passar do tempo fomos perdendo a paciência para tantos desencontros, tantas desculpas. Tudo rotineiro demais: brigas, amor, amar, só nós dois isolados do convívio com os outros mundos pessoais. Não sei quem é a vítima. Eu? Você? Talvez nem haja vítimas, mas sim consentimentos. É esse amor assim, sujo, com cotidianos de amor doído, de frases sem significados, de presenças de ausências, que o quero de volta. Não me perdoa… Eu lhe perdoo, preciso de você. Sou um corpo vazio a implorar beijos, salivas, perdição. Preciso de você, em seu corpo eu vivo, eu morro… De amor!

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