7 de outubro de 2009

O Mestre da Vida


Apesar das boas intenções, é apenas mais um dentro de seu gênero que não adiciona nada em especial.

A dinâmica entre mestre e aprendiz já foi explorada dezenas ou até centenas de vezes no Cinema. Os exemplos são incontáveis: desde Lua de Papel, passando por Karate Kid e chegando a Encontrando Forrester, roteiristas e cineastas não se cansam de construir histórias focadas nesta troca de experiências entre o mentor, normalmente recluso e solitário, e o jovem, na maioria das vezes talentoso, mas perdido na vida. Com tantas abordagens, é difícil oferecer algo novo, que traga uma visão diferente ao tema. O Mestre da Vida, infelizmente, é apenas mais uma obra a entrar no rol de produções a serem esquecidas.


Segundo caracteres que surgem logo nos primeiros segundos da fita, a história é baseada em fatos reais, apresentando o garoto John, um verdadeiro apaixonado pelo mundo da arte e da pintura. Ao tentar vender um de seus quadros, John descobre ser vizinho de um grande pintor russo, Nicoli Seroff. Disposto a trocar idéias e aprender com o mestre, o jovem vai à casa de Seroff, que se revela um senhor de idade sem muita paciência para contato com seres humanos. Aos poucos, John consegue convencer Seroff a ensiná-lo, e decide passar alguns meses na casa de verão do russo.


Quem já assistiu a algum filme sobre esta relação mestre/aprendiz sabe exatamente o que acontecerá na história. O roteiro do também diretor George Gallo não foge nem um segundo do previsível, evitando qualquer espécie de ousadia ou desenvolvimento mais aprofundado.

Pelo contrário, O Mestre da Vida (que título nacional, hein?) é um filme realizado com o único objetivo de emocionar, ainda que o tente de maneira forçada, com a trilha melosa e repleta de sacarina subindo nos momentos certos e planejados para levar à platéia às lágrimas.


Se realizado por um diretor competente (Spielberg, por exemplo), tal recurso pode até funcionar, mas na maioria das vezes é uma grande manipulação e trapaça com os sentimentos do público.

E este é, também, o caso aqui. Ainda que a relação entre Seroff e John convença em alguns momentos, não há grande identificação com os personagens e, conseqüentemente, o que eles sentem não ressoa no espectador. O próprio desenvolvimento deles é óbvio demais: claro que John teria problemas em casa e Seroff algum trauma do passado que o transformou em recluso.



O grande problema é que Gallo acredita que somente tais fatos são suficientes para torná-los pessoas reais, no que se engana. Ainda que o veterano Armin Mueller-Stahl consiga transmitir alguma veracidade ao personagem, Trevor Morgan é pouco expressivo no papel de John, o que também impede uma maior aproximação.


Por outro lado, Ray Liotta se diverte no papel do pai do garoto, roubando todas as cenas em que aparece, e o garoto do inferno Ron Perlman cria de forma competente a patética figura de um estudioso de arte.


A maneira como retrata a arte, aliás, é uma das principais qualidades de O Mestre da Vida. O roteiro apresenta diversas questões interessantes sobre o assunto, desde as dicas de Seroff a John até as discussões sobre a arte apreciada com o intelecto e a arte compreendida pelo coração.


É daí que saem as melhores – e mais divertidas – cenas do filme, como a presença do pintor russo em uma exposição de artistas locais e o jantar no qual Seroff revela a idiotice de um pretensioso amigo ao exibir pinturas de crianças deficientes.


É uma pena, portanto, que o resto da produção seja tão descuidado. Os ensinamentos sobre a vida, por exemplo, variam entre os levemente inspirados e outros extremamente clichês, inclusive um “siga seu próprio coração”. Da mesma forma, há momentos dispensáveis em O Mestre da Vida, como o romance entre John e a vizinha de Seroff, uma subtrama que nada acrescenta e ainda prejudica a construção da dinâmica entre os dois personagens principais.


Como resultado, O Mestre da Vida é um filme de boas intenções, mas com diversos problemas. A história, previsível, nada tem de original e falta à obra mais naturalidade no desenvolvimento dos personagens e alma nas relações. Há alguns acertos, mas a tentativa de George Gallo em emocionar o espectador à força chega a insultar. Em certo momento do filme, Seroff diz que a arte deve ser natural. Uma pena que seu próprio diretor não aprendeu a lição.

Um comentário:

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